Ainda esta semana, a Organização Mundial da Saúde (OMS) deve batizar com um codinome grego uma nova variante da Covid-19 que foi registrada pela primeira vez na África do Sul.

A variante já é considerada aquela com o maior número de mutações do novo coronavírus: são 50, algo nunca visto antes.

De acordo com a OMS, não se sabe ainda se ela é mais perigosa ou transmissível, mas alterações genéticas preocupam por possível defasagem das vacinas.

Um pesquisador sul-africano já a classificou como “horrível”, enquanto outro disse à reportagem do G1 “que ela é a pior já vista”.

1 getty images - Cientistas alertam sobre nova variante detectada na África do Sul: '50 mutações ao mesmo tempo'

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À imprensa, Tulio de Oliveira, professor e diretor do Centro para Resposta Epidêmica e Inovação, na África do Sul, disse que foram localizadas 50 mutações no total — e mais de 30 na proteína spike (a “chave” que o vírus usa para entrar nas células e que é alvo da maioria das vacinas contra a Covid-19).

Tulio é um infectologista brasileiro com ampla experiência na área. Ele afirmou que a variante carrega uma “constelação incomum de mutações” e é “muito diferente” de outros tipos que já circularam. “Esta variante nos surpreendeu, ela deu um grande salto na evolução [e traz] muitas mais mutações do que esperávamos”.

“O que nos preocupa é que esta variante pode não só ter uma capacidade de transmissão aumentada, mas também ser capaz de contornar partes do nosso sistema imunológico”, disse o professor Richard Lessells, outro pesquisador da Universidade de KwaZulu-Natal na África do Sul.

2 reuters - Cientistas alertam sobre nova variante detectada na África do Sul: '50 mutações ao mesmo tempo'

Por ser bem diferente das demais, a nova variante traz uma preocupação em particular quando o assunto é a imunização, uma vez que as vacinas foram desenvolvidas mirando a cepa original do coronavírus, registrada inicialmente em Wuhan, na China.

Assim, é possível que as vacinas não funcionem tão bem contra a variante B.1.1.529.

De toda forma, vale frisar que a África do Sul tem só 24% da população totalmente vacinada, então, pode ser que, ao chegar a países com taxas mais altas de imunização, a variante não tenha tanta força.

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Fonte: G1

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